terça-feira, 11 de março de 2014






                         
 CURIOSIDADES LINGUÍSTICAS: 
A LÍNGUA PORTUGUESA É MACHISTA?



               Alguns estudiosos afirmam que a língua portuguesa é machista e apresentam pelo menos duas razões para isso: se numa sala há uma multidão de mulheres e apenas um homem, a concordância se fará no masculino plural; se uma pessoa quer agredir um homem, é a mãe dele que ela xinga; além disso, há nomes que são elogios para o homem e agressões à mulher: a um homem se pode chamar touro ou garanhão, mas chamar a mulher de vaca ou de égua é ofendê-la. À primeira vista esses argumentos parecem ter fundamento. Ledo engano.

A língua se caracteriza pelos instrumentos gramaticais, como flexões nominais e verbais, artigos, preposições e conjunções, por exemplo. O vocabulário, isto é, as palavras reais, não caracterizam a língua. Ê por isso que o inglês é considerado língua germânica e não latina, apesar de ter uma quantidade significativa de palavras latinas no seu léxico. Da mesma forma, o romeno é considerado língua latina, apesar da grande quantidade de palavras eslavas em seu dicionário. É basicamente o vocabulário o que distingue o português do Brasil do português de Portugal, ou o português brasileiro do morro do português brasileiro do asfalto. Ninguém deixaria de reconhecer como legitimamente portuguesa uma frase como “O office-boy, com uma pizza de mozarela, flertou com as garçonetes no hall do drive-in’, em que não existe uma única palavra portuguesa (Office-boy, hall e drive-in são palavras inglesas, como a raiz de “flertou”; pizza e mozarela são nomes italianos; garçonete é nome francês. O que caracteriza a frase como portuguesa são os instrumentos gramaticais: os artigos, as preposições, a flexão verbal, o número, o gênero.)




Um falante pode inventar um substantivo novo ou um verbo novo, mas não poderá inventar um gênero diferente nem uma conjugação diferente, porque é a gramática que faz a língua e não o dicionário. Para inventar palavras, não é necessário utilizar os recursos de formação vocabular que a língua põe à disposição dos falantes, como sufixos e prefixos. Basta respeitar os padrões fonológicos da língua. Ao inventar o “imexível”, Magri utilizou recursos existentes na língua, e o resultado foi perfeitamente compreensível, aceitável e de acordo com outras formações lexicais já existentes, como “ilegível”, por exemplo. Mas, ao inventar “hiputrélico”, em Tutaméia, Guimarães Rosa só respeitou os padrões silábicos e fonológicos da língua, o que deu uma configuração portuguesa à palavra, mas nenhum sentido, uma vez que nenhum falante poderá saber o que essa palavra significa, a menos que o próprio autor o diga.       
                                                                                                 
Assim, quando utiliza um termo agressivo para a mulher mas elogiativo para o homem, o falante é que está sendo machista, e não a língua, porque a escolha das palavras é exclusivamente responsabilidade sua. Mas, quando usa o feminino, o plural, ou conjuga um verbo, a responsabilidade é da língua, porque é a língua e não o falante que determina o gênero ou a flexão verbal. Assim “Deus” é masculino não porque a língua é machista, mas porque “Deus” não tem o “a” do feminino. O feminino é que tem a marca de gênero, em português. O masculino é, na verdade, a ausência de gênero. Por isso, pronomes como ‘quem”, “aquilo”, “isto”, “nada”, “tudo”, “alguém”, “ninguém”, etc. exigem concordância no masculino, que não é gênero. Aliás, o masculino deveria chamar-se “neutro” ou “gênero não marcado” por oposição ao feminino, que é gênero marcado. Da mesma forma, eu sei que “prato” é singular, porque não tem o “s” de plural. Apenas o plural é número marcado em português. O singular, como o masculino, não tem marca.

Assim, se há muitas mulheres e apenas um homem num lugar, a concordância no masculino apenas assinala que não se está especificando gênero nenhum, que não se está privilegiando ninguém.

Com relação a nomes que são elogios para o homem e ofensas para a mulher, como pistoleiro/pistoleira, homem público/mulher pública, touro/vaca, aventureiro/aventureira, cão (melhor amigo do homem)/cadela (prostituta), etc., não há neles nada que permita concluir que a língua seja machista, porque se trata de vocábulos, de itens lexicais, de palavras de livre escolha do falante, sem imposição da língua. Se o falante tem o direito de inventar uma palavra (falso lexema), como fez Guimarães Rosa com o seu “hiputrélico”, ele não tem o direito de inventar um gênero novo, um plural diferente ou uma flexão verbal própria. Os instrumentos gramaticais são impostos ao falante, mas o vocabulário, não. Assim, não é a língua que é machista, mas o falante, quando usa nomes elogiativos para o homem e ofensivos para a mulher.

*José Augusto Carvalho, mestre em Linguística pela Unicamp e Doutor em Letras pela USP, é autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa, ambos em segunda edição pela Thesaurus.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

NADA ALÉM DE UM





Recado





A você que está aí a me criticar sentado confortavelmente em sua poltrona, com sua vida perfeita e insossa;

A você que está aí tranquilo em sua redoma, deixando a Vida passar ao largo;

A você que está aí sem crises existenciais, por não se deixar tocar pela existência;

A você que não sofre, pois não sente;

A você que está aí sem se perguntar o como e o porquê das coisas, pois teme as respostas;

A você que acredita ser dono da verdade, quando ela lhe escapa pelos dedos;

A você que está aí a me enxergar através de uma lente distorcida;

A você que está aí a me criticar, surdo ao que sinto;

A você que estende com uma mão e tira com a outra;

A você que finge altruísmo com o único intuito de “dormir em paz”;

A você que, cego, me critica, não me Vê, por me julgar um espelho do outro que deseja atingir;

A você que está aí a me espezinhar, com os ouvidos, os olhos e o coração cerrados à minha dor;

A você que se acredita saudável, mas que, talvez, sem saber, seja portador do pior mal social ― a imagem sobre a verdade;


Um recado: deixem-me em paz!

E...

A você que está aí vivendo de aparências, buscando ter antes de ser, cuidado: saiba que não está no topo do mundo, mas à beira de um precipício;

A você que, em sua pseudoperfeição, é intolerante a ponto de renegar as diferenças, também, cuidado: a solidão está à sua porta.





Por fim...

Não quero ser mote de discussões.
Não quero ser o brinquedo com o qual você se distrai de si.
Não sou, nem me permitirei ser, o bode expiatório de sua vida.

Vocês que estão aí a me criticar, por favor: DEIXEM-ME EM PAZ!




CSC

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

QUE ESTE ANO QUE SE APROXIMA, E OS DEMAIS, SEJAM DE COLHEITA DE TODOS OS BONS FRUTOS QUE PLANTAMOS EM 2013,


 E QUE...

Tenhamos a coragem de agir em relação ao outro com a mesma transparência que exigimos do governo e dos governantes, pois...



O que incomoda é o discurso ambíguo, a crítica velada oculta na máscara do sorriso – aquela que se percebe no olhar, na linguagem do corpo, no frio abraço de despedida.
A palavra contundente é preferível à falsa aceitação – esta, sim, fere o ser humano. 

Beijos autênticos, 
Cláudia Coelho

sábado, 28 de dezembro de 2013

MOMENTO DESCONTRAÇÃO DE FIM DE ANO

Pena a "paródia" abaixo não ser de minha autoria. Um dia ainda chego lá. kkk

Abreijos brejeiros,
Cláudia

PS: Divulguem!!!


A TARTARUGA EM CIMA DO POSTE



Enquanto suturava um ferimento na mão de seu paciente, um mero gari idoso cuja mão fora cortada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo, o médico começou a conversar com o senhorzinho sobre o clima, o país, o governo e, fatalmente, sobre a Dilma.

O velhinho disse:
"Bom, o senhor sabe... a Dilma é como uma tartaruga
em cima do poste...".

Sem saber o que o gari quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga num poste.
E o gari respondeu:

"É como quando o senhor vai indo por uma estradinha, vê um poste e lá em cima tem uma tartaruga tentando se equilibrar...
-
Isso é uma tartaruga num poste!

Diante da cara de interrogação do médico, o velhinho acrescentou:

Você não entende como ela chegou lá;
você não acredita que ela esteja lá;
você sabe que ela não subiu lá sozinha;
você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
você sabe que ela não vai fazer absolutamente
nada enquanto estiver lá;
Você não entende por que a colocaram lá...”
Após o colóquio, o médico concluiu que nada mais nos resta a fazer a não ser ajudar a tartaruga a descer do poste e providenciar para que nunca mais suba, pois lá em cima definitivamente não é o lugar dela".

Ajude a Tartaruga a descer do poste...
e evite que coloquem outra parecida em seu lugar!


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

PALAVRAS DE SABEDORIA PARA O ANO-NOVO




Gostaria de partilhar com vocês a conclusão que cheguei após organizar um livro com pensamentos e frases de 60 personalidades – de Aristóteles a Stephen Hawking – passando por Paulo de Tarso, Voltaire, São Tomás de Aquino, Adam Smith, Jonathan Swift, Joseph Campbell, Cora Coralina... bem, a lista é imensa, e o livro mereceria no mínimo três edições para contemplar todos aqueles que merecem ser citados: 



“Sábio o homem que não se contenta em saber os fatos, mas está sempre a perguntar quando, como e, principalmente, por quê.

Releitura de Cláudia S. Coelho



domingo, 22 de dezembro de 2013

MEUS VOTOS !!!




Pensei, pensei e pensei, mas não consegui inspiração para escrever algo que considerasse realmente significante para este período em que todos, de modo geral, param e refletem sobre o que fizeram durante o ano que está prestes a findar e criam propósitos e propostas para o ano que virá. 

Felizmente, por obra do acaso, deparei-me com uma frase de Carl Sagan que calou em mim e gostaria de partilhá-la com você - que está aqui a ler o que tenho a dizer, que acompanha minha trajetória e, portanto, mesmo que nunca tenhamos nos encontrado em outro espaço, tenho certeza conhece parte de minha alma.  

Gostaria de dizer-lhe que...


"Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você."
Carl Sagan


Desejo a você um Natal com espírito de renovação
e um ano verdadeiramente Novo! 

Com amor,


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

EU, PREDADOR




Antes que leia o poema abaixo, gostaria de dizer algumas palavras para que você entendesse o contexto em que foi escrito. Ele foi criado em um momento muito especial, durante o qual estava trabalhando com uma conhecida que veio a se tornar grande amiga. Ainda me recordo de cada uma das palavras que trocamos nas diversas tardes de sábado que passamos juntas. Infelizmente, por obra do destino, nossos caminhos se bifurcaram, mas a síntese de nossos encontros, as conclusões que chegamos, após analisar horas de entrevistas que deixaram mais do que patente o efeito destrutivo que algumas relações podem ter sobre a alma humana, estão nos versos que se seguem. Por terem sido fruto daqueles instantes mágicos em que os aparentemente dispersos fios de um novelo se unem formando um todo coerente e coeso, dedico a ela estes versos, os quais foram agraciados com o Prêmio Literário do Sindi-Clube, na categoria poesia. 

EU...





Sei que mal te faço,
Sei que mal te causo,
Sei que mal te inflijo.

Não há em mim, no entanto, culpa, remorso ou pesar,
Pois minha alma é vazia, um nada,
Onde não há nenhum rastro de humanidade.

Essa é minha matéria,
Essa é minha natureza,
Essa é minha essência,
E de mim não posso fugir, mas tu podes.

Portanto vá enquanto há tempo,
Antes que eu te aniquile,
Antes que eu te destrua e parta,
Pois serventia não mais terá.

Por teu bem: “Olhe além das aparências” e
Não te deixes iludir por minha faceta de bom moço,
Pois sou um mestre na arte de dissimular,
E nesta está meu prazer.

Talvez eu dê a impressão de que preciso de ti
E virás a acreditar que és minha salvação,
Mas, repito: “Não te deixes iludir” ,
Isso é apenas um jogo.

Um jogo racional, delineado, arquitetado,
Cujo único objetivo é enredar-te,
Tornar-te minha presa, torturar-te e
Fazer-te refém.

Meu maior temor é que descubras o nada que realmente sou,
Portanto não ouses fazê-lo,
Pois minha vingança será implacável,
E de ti nada mais restará.

Talvez seja difícil acreditar que minha máscara oculte
um ser cujo prazer seja destruir; jamais criar.
Que eu seja um autômato que te aniquilará de todas as formas possíveis,
Por possuíres todos os traços que minha natureza me nega.

Creia-me: escolhi-te a dedo,
Tu és sensível,
Tu és vulnerável,
Tu és humano.

Por vezes, pareço ter um rasgo de consciência, mas não te deixes enganar,
Essa é mais uma de minhas estratégias engendradas,
A fim de trazer-te para junto de mim,
A fim de confundir-te.
Meu objetivo não é roubar de ti o que possuis,
Pois em mim não há espaço para o fogo da
Empatia, do amor, da compaixão...
Sentimentos que definem nossa humanidade.

Meu prazer reside em assolar teu espírito,
Quiçá teu corpo,
Sem deixar qualquer vestígio do que um dia fostes:
Um ser dotado de alma.

E após exterminar-te, continuarei a seguir minha trilha,
Fingindo ser aquilo que nunca poderei ser,
Manipulando tudo e todos ao meu redor,
Sempre à espera da próxima presa.

Alguns me perguntam se sou feliz,
Como responder ao que não conheço?
Alimento-me de meu intelecto, de minha racionalidade,
De minha frieza, de meu desprezo. 

Desprezo por aqueles que sabem o que é alegria, amor, tristeza, compaixão...

A única certeza que tenho é que permanecerei em meu caminho,
Deixando um rastro de destruição às minhas costas,
Sempre à espreita da próxima vítima,
Sempre à espreita de você.

Quem sou eu? Deves estar a perguntar.
Sou aquele que te seduz,
Sou aquele que te devora.






O lobo em pele de cordeiro, 
que a teu lado está.

Cláudia S. Coelho